Existe uma altura particularmente difícil para procurar financiamento: quando a empresa já precisa urgentemente dele.
Quando a tesouraria começa a ficar pressionada, aproxima-se uma amortização relevante ou surge uma necessidade inesperada de liquidez, a tendência natural é procurar rapidamente uma solução bancária.
Mas o tempo é uma variável importante numa negociação financeira.
Quanto menor for o tempo disponível, menor tende a ser também a capacidade negocial da empresa.
É por isso que a gestão da dívida não deve ser vista apenas como uma questão de tesouraria. Deve fazer parte da estratégia financeira.
Uma estrutura de financiamento adequada deve estar alinhada com a forma como a empresa gera caixa e com os ativos que financia.
Investimentos com uma vida útil longa dificilmente deveriam ser suportados exclusivamente por dívida de muito curto prazo. Da mesma forma, necessidades sazonais de fundo de maneio não justificam necessariamente estruturas de financiamento de longo prazo mais caras e rígidas.
Parece elementar, mas muitas empresas acumulam sucessivas soluções financeiras ao longo dos anos sem voltarem a analisar a estrutura como um todo.
Um empréstimo contratado para uma aquisição, outro para equipamentos, uma linha de apoio à tesouraria, contas correntes, leasing, garantias e diferentes maturidades podem transformar-se gradualmente numa estrutura complexa e pouco eficiente.
O refinanciamento permite olhar para essa estrutura de uma forma integrada e não significa necessariamente aumentar dívida.
Pode significar alongar maturidades, reduzir amortizações no curto prazo, substituir linhas inadequadas, diversificar instituições financeiras, libertar garantias ou simplesmente ajustar o calendário da dívida à capacidade de geração de caixa da empresa.
O preço é naturalmente importante, mas não é a única variável. Uma diferença marginal de spread pode ser menos relevante do que uma maturidade adicional, maior flexibilidade de amortização ou capacidade para realizar novos investimentos sem renegociar toda a estrutura financeira.
Também por isso é importante negociar quando a empresa apresenta números sólidos e não quando já se encontra condicionada por uma necessidade imediata.
Os momentos de maior geração de caixa e menor alavancagem podem ser precisamente os melhores momentos para discutir financiamento.
Existe ainda uma dimensão estratégica frequentemente esquecida: a diversificação das fontes de capital.
O banco que acompanhou a empresa durante muitos anos pode continuar a ser um parceiro fundamental. Isso não significa que deva ser a única alternativa.
Diferentes instituições apresentam apetites de risco, setores prioritários, geografias, estruturas de garantia e capacidades de financiamento distintas. Em operações de maior dimensão podem igualmente surgir fundos de dívida, mecanismos de garantia, instrumentos de coinvestimento ou estruturas híbridas.
A melhor solução raramente resulta de olhar apenas para a primeira proposta disponível.
Resulta de perceber qual é a necessidade financeira real, estruturar corretamente a operação e apresentar a empresa ao mercado financeiro de forma coerente.
É um princípio semelhante ao de uma operação de M&A: informação de qualidade, processo estruturado e alternativas aumentam capacidade negocial.
Uma empresa bem financiada não é necessariamente aquela que tem menos dívida. É aquela cuja dívida é compatível com a geração de caixa, com o ciclo de investimento e com os objetivos estratégicos do negócio. Por isso, a pergunta que os gestores deveriam colocar regularmente não é apenas "quanto devemos?", mas também "a nossa estrutura financeira continua a ser a mais adequada para aquilo que queremos fazer nos próximos três ou cinco anos?". Muitas vezes, é nessa resposta que começa um verdadeiro processo de refinanciamento.

