Os sistemas de incentivos podem alterar significativamente a rentabilidade de um projeto de investimento.

Mas existe uma regra que deveria anteceder qualquer candidatura: uma empresa não deve investir apenas porque existe um incentivo disponível.

Deve procurar incentivos para investimentos que façam sentido estratégico. A diferença parece subtil, mas é determinante.

Sempre que abre um aviso do Portugal 2030 é natural que muitas empresas procurem rapidamente perceber quais as despesas elegíveis e qual poderá ser a percentagem de apoio.

Equipamentos, software, investigação e desenvolvimento, eficiência energética, internacionalização ou contratação de recursos humanos passam então a ser analisados à luz das condições da candidatura.

O risco surge quando a lógica é invertida: em vez de começar pela estratégia da empresa e procurar o instrumento mais adequado para a financiar, começa-se pelo aviso e procura-se construir um investimento que caiba dentro dele.

Uma boa candidatura começa antes do formulário, com perguntas mais simples.

Onde pretende a empresa estar daqui a três ou cinco anos? Que limitações impedem hoje esse crescimento? É necessária nova capacidade produtiva? Automação? Digitalização? Desenvolvimento de novos produtos? Entrada em novos mercados? Redução do consumo energético?

Só depois deveria surgir a pergunta seguinte: existe algum instrumento de apoio compatível com esse plano?

Esta abordagem tem outra vantagem, porque os melhores projetos tendem a ser aqueles em que existe coerência entre investimento, estratégia e impacto económico.

Uma nova linha produtiva faz mais sentido quando está associada a aumento de capacidade, novos produtos ou ganhos relevantes de produtividade. Um projeto de investigação e desenvolvimento deve partir de um verdadeiro desafio tecnológico. Um investimento em digitalização deve alterar processos e não limitar-se à aquisição de software.

O incentivo deve acelerar a transformação, não ser a sua razão. Também é importante evitar outro erro frequente: olhar exclusivamente para a percentagem de apoio. Um incentivo mais elevado não transforma automaticamente um projeto economicamente fraco num bom investimento.

Existem prazos de execução, condições de elegibilidade, obrigações de manutenção do investimento, metas, indicadores e necessidades de financiamento que devem ser incorporados desde o início.

Mesmo quando existe uma componente não reembolsável relevante, a empresa continuará normalmente a necessitar de financiar uma parte do investimento e, em muitos casos, antecipar pagamentos antes de receber o apoio.

A candidatura deve, por isso, estar integrada na própria estrutura financeira do projeto.

Capital próprio, financiamento bancário, incentivos e geração de caixa não são decisões independentes. São diferentes peças da mesma estrutura de capital.

É precisamente aqui que os sistemas de incentivos deixam de ser apenas um tema administrativo.

Quando corretamente utilizados, podem permitir antecipar investimento, aumentar a dimensão de um projeto ou reduzir o capital necessário para concretizar uma transformação estratégica.

Portugal 2030, projetos de I&D, inovação produtiva, eficiência energética ou economia circular devem ser analisados dessa forma: não como oportunidades isoladas de obtenção de uma subvenção, mas como instrumentos de financiamento empresarial.

Na Fenix Capital Partners defendemos precisamente essa abordagem: primeiro compreender o investimento, a estratégia e o modelo financeiro. Depois identificar os instrumentos que podem contribuir para tornar esse investimento mais eficiente.

Porque o melhor projeto não é aquele que obtém o maior incentivo.

É aquele que a empresa continuaria a querer realizar mesmo que o incentivo não existisse e que, com o apoio certo, pode ser executado melhor, mais cedo ou com maior ambição.